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domingo, 14 de agosto de 2011

Passatempo


Hoje, no olhar de meu pai
Vi uma ânsia por afeto
Ele segredava em cada gesto
Que a vida era curta
E que o tempo dele se esvai
Tentava recuperar avidamente
Cada minuto perdido
Cada erro cometido
Cada sorriso não dado
Raptava-me abraçando...
Encontrava no meu silêncio
Na minha falta de jeito
Um equívoco do passado
Coitado! Fez-se em lágrimas
Lágrimas passadas, espaçadas
Dizia que me amava como desculpas
E sem culpas, esqueceu o ontem
Deleitando-se no sofá, ao fim da tarde
Como se não houvesse amanhã
Confundindo-me se aquilo
Era por sono ou quebranto...
Olhei de canto e ao vê-lo
Não sei se por medo ou amor
Sentei ao seu lado e cai em prantos.

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